{"id":13,"date":"2024-06-10T21:43:06","date_gmt":"2024-06-10T21:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/aterrestre.com.br\/news\/?p=13"},"modified":"2024-06-13T18:28:23","modified_gmt":"2024-06-13T18:28:23","slug":"1o-festival-de-cinema-e-cultura-indigena-realizou-a-primeira-mostra-de-cinema-no-territorio-indigena-do-xingu-mt-inaugurando-a-primeira-casa-de-cinema-do-territorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aterrestre.com.br\/news\/1o-festival-de-cinema-e-cultura-indigena-realizou-a-primeira-mostra-de-cinema-no-territorio-indigena-do-xingu-mt-inaugurando-a-primeira-casa-de-cinema-do-territorio\/","title":{"rendered":"1\u00ba Festival de Cinema e Cultura Ind\u00edgena realizou a primeira mostra de cinema no territ\u00f3rio ind\u00edgena do Xingu (MT), inaugurando a primeira casa de cinema do territ\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste fim de semana, nos dias 17 e 18 de setembro, deu-se o primeiro passo da grandiosa jornada que \u00e9 0 <strong>1\u00ba Festival de Cinema e Cultura Ind\u00edgena (FeCCl 2022)<\/strong>! O FeCCl realizou a primeira mostra de filmes do Alto Xingu: a &#8220;Mostra Xingu&#8221; e inaugurou a primeira &#8220;Casa Cinema Ind\u00edgena&#8221; em um territ\u00f3rio, na aldeia Ipatse do povo Kuikuro, no Territ\u00f3rio Ind\u00edgena do Xingu (MT).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Mostra Xingu contou com a participa\u00e7\u00e3o de 400 pessoas, dos povos Kuikuro, Kalapalo e Wauja. Al\u00e9m disso, celebrou-se diversas festas e rituais tradicionais, como a Festa Duhe (Tawarawana \u2014 Festa dos Peixes), a Festa Hugag\u00fc (Festa do Pequi), a Festa Yamurikum\u00e3 (Festa das Mulheres) e o Ritual Takuaga (Ritual da Takuara).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a mostra, nas noites de s\u00e1bado e domingo, ocorreram duas sess\u00f5es de cinema com exibi\u00e7\u00e3o de filmes ganhadores de v\u00e1rios pr\u00eamios, s\u00e3o eles:<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A \u00daltima Floresta <\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"202\" height=\"298\" src=\"https:\/\/aterrestre.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/filme-a-ultima-floresta.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(Brasil, 2021, document\u00e1rio, 1h14min)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Luiz Bolognesi<br><strong>Roteiro:<\/strong> Davi Kopenawa Yanomami, Luiz Bolognesi<br><strong>Ganhador dos pr\u00eamios:<\/strong> Grande Pr\u00eamio do Cinema Brasileiro 2022 nas categorias Melhor Longa-metragem de Document\u00e1rio e Melhor Montagem de Document\u00e1rio: Pr\u00eamio Platino 2022 como Melhor Document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sinopse: <\/strong>Em um grupo Yanomani isolado na Amaz\u00f4nia, o xam\u00e3 Davi Kopenawa Yanomani tenta manter vivos os esp\u00edritos da floresta e as tradi\u00e7\u00f5es, enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doen\u00e7as para a comunidade. Os jovens ficam encantados com os bens trazidos pelos brancos: e Ehuana, que v\u00ea seu marido desaparecer, tenta entender o que aconteceu em seus sonhos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Territ\u00f3rio <\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"300\" src=\"https:\/\/aterrestre.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/filme-o-territorio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(Brasil, Dinamarca, EUA, 2022, document\u00e1rio, 1h23min)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Alex Pritz<br><strong>Produ\u00e7\u00e3o: <\/strong>Will N Miller, Sigrid Jonsson Dyekjaer, Darren Aronofsky, Gabriel Uchida e Lizzie Gillett <br><strong>Coprodu\u00e7\u00e3o:<\/strong> povo ind\u00edgena Uru-eu-wau-wau, de Rond\u00f4nia<br><strong>Produ\u00e7\u00e3o Executiva: <\/strong>Txai Suru\u00ed<br><strong>Ganhador dos pr\u00eamios: <\/strong>Pr\u00eamio Especial do J\u00fari de Obra Documental e Pr\u00eamio do P\u00fablico de Document\u00e1rio do Cinema Mundial no Festival Sundance de Cinema 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sinopse: <\/strong>Dentro do territ\u00f3rio Uru-eu-wau-wau, no estado de Rond\u00f4nia, h\u00e1 menos de 200 pessoas para defender mais de 11.000 quil\u00f4metros quadrados de floresta tropical. Nas margens do territ\u00f3rio protegido, um grupo de posseiros se organiza para reivindicar oficialmente um peda\u00e7o de terra, enquanto grileiros individuais come\u00e7am a desmatar trechos de floresta tropical para si mesmos. Com a sobreviv\u00eancia da comunidade em jogo, Bitat\u00e9 Uru-eu-wau-wau e Neidinha Bandeira \u2014 um jovem l\u00edder ind\u00edgena e sua mentora \u2014 devem encontrar novas maneiras de proteger a floresta e a si mesmos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobre o FeCCl 2022<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O FeCCI \u00e9 o primeiro festival nacional de cinema e cultura ind\u00edgena idealizado por ind\u00edgenas, focado na produ\u00e7\u00e3o audiovisual de cineastas, coletivos e realizadores de origem ind\u00edgena, que tem como objetivo contribuir para a difus\u00e3o de obras cinematogr\u00e1ficas e da cultura dos mais de 305 povos ind\u00edgenas do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a Mostra Xingu, o festival continua, tendo como pr\u00f3ximas fases: a sele\u00e7\u00e3o de filmes para Mostra Competitiva, com inscri\u00e7\u00f5es abertas at\u00e9 25 de setembro; a escolha dos filmes para sua Mostra Paralela pela Comiss\u00e3o de Sele\u00e7\u00e3o do festival; as mentorias de profissionais da Associa\u00e7\u00e3o Cultural de Realizadores Ind\u00edgenas de modo online e presencial, em Bras\u00edlia, que ser\u00e3o contempladas pelos tr\u00eas filmes selecionados para o FeCCl Lab \u2014 o laborat\u00f3rio de finaliza\u00e7\u00e3o de filmes curta-metragem do festival; e, ainda, a realiza\u00e7\u00e3o do festival, de 02 a 11 de dezembro, em formato hibrido com exibi\u00e7\u00f5es presenciais no Cine Bras\u00edlia (Bras\u00edlia\/DF) e com sess\u00f5es online na plataforma de streaming Innsaei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O festival \u00e9 idealizado pelo diretor, editor e cineasta do Coletivo Kuikuro de Cinema, Takuma Kuikuro. Ele trabalha com audiovisual h\u00e1 mais de 15 anos e desempenha diversas fun\u00e7\u00f5es em realiza\u00e7\u00e3o audiovisual, como fotografia, montagem e roteiro, bem como \u00e9 professor de cursos de forma\u00e7\u00e3o que o Coletivo oferece a outros povos do Alto Xingu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Takuma j\u00e1 dirigiu muitos filmes, como: &#8220;Ngun\u00e9 El\u00fc \u2014 O Dia em que a Lua Menstruou&#8221;, em parceria com Maric\u00e1 Kuikuro \u2014 ganhador do Pr\u00eamio Chico Mendes de Melhor Document\u00e1rio (2004), Melhor document\u00e1rio no II Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul (2005) e Trof\u00e9u Unesco na XXXII Jornada Internacional de Cinema da Bahia (2005); &#8220;Imbe Gikeg\u00fc \u2014 Cheiro de Pequi&#8221;, tamb\u00e9m com Maric\u00e1 Kuikuro \u2014 ganhador do Pr\u00eamio Manuel Di\u00e9gues J\u00fanior, Museo del Folclore \u2014 Concep\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o, na 100 Mostra Internacional do Filme Etnogr\u00e1fico (2006); Pr\u00eamio Especial do J\u00fari, Festival Internacional de Curtas de Rio de Janeiro (2006) e Melhor Curta-metragem no Festival Pr\u00e9sence Autochtone de Terres en Vue, em Montr\u00e9al (2007). Ainda, Takum\u00e3 dirigiu o document\u00e1rio As Hiper Mulheres (2011), junto a Leonardo Sette e Carlos Fausto, que ganhou o Pr\u00eamio Especial do J\u00fari e de Melhor Montagem no 390 Festival de Cinema de Gramado, 2011; Pr\u00eamio de melhor som no 440 Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro (2011) e Pr\u00eamio de Melhor Document\u00e1rio no 70 FestCine Goi\u00e2nia (2011).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2017, recebeu o pr\u00eamio honor\u00e1rio &#8220;Bolsista da Queen Mary University London&#8221;. E foi, em 2019, o primeiro jurado ind\u00edgena do Festival de Cinema Brasileiro de Bras\u00edlia. Durante a Mostra Xingu, Takum\u00e3 Kuikuro comentou sobre a import\u00e2ncia de se aldear o cinema e multiplicar a arte audiovisual dos povos origin\u00e1rios:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;N\u00f3s realizamos essa mostra para que a gente possa mostrar [o cinema ind\u00edgena] para o p\u00fablico ind\u00edgena da aldeia, que nunca tiveram a oportunidade de ir a uma sala de cinema, porque isso \u00e9 importante [para] a gente mostrar realmente nossa pr\u00f3pria realidade&#8221;.  &#8220;N\u00f3s temos uma riqueza, uma cultura, dentro da nossa aldeia. [O cinema] \u00e9 uma ferramenta importante para que n\u00f3s possamos realmente lutar junto com as lideran\u00e7as, atrav\u00e9s do audiovisual Cada vez mais, a gente tem que se tornar protagonistas de nossas pr\u00f3prias hist\u00f3rias&#8221;<\/em>, refor\u00e7ou Takuma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daniel Kuikuro tamb\u00e9m comentou sobre a import\u00e2ncia do cinema como ferramenta de luta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Antes n\u00f3s us\u00e1vamos apenas arco e flecha e, agora, temos a oportunidade de lutar com c\u00e2meras e com papel. Cada dia mais, a gente est\u00e1 sendo pressionado. Com isso, a gente est\u00e1 mostrando nossa realidade, nosso viver dentro da aldeia, nossa preocupa\u00e7\u00e3o e nossa  luta para preservar a natureza [&#8230;] estamos gravando nossa cultura para ela n\u00e3o acabar&#8221; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a Mostra Xingu, contou-se com a participa\u00e7\u00e3o da Secretaria de Cultura do Estado do Mato Grosso e da produtora respons\u00e1vel pelo festival &#8220;A Terrestre&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A mostra do FeCCl no Xingu nos remete a olhar para a origem [&#8230;l, entender sobre nossa pr\u00f3pria origem e sobre os povos origin\u00e1rios. Com rela\u00e7\u00e3o a Casa de Cinema, ela \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o de todo o trabalho feito por muitos anos (&#8230;) Takum\u00e3 ap\u00f3s se lan\u00e7ar dentro do cinema no Brasil, foi passando esse &#8220;bast\u00e3o&#8221;, foi entregando [sua experi\u00eancia] para os meninos da aldeia para que eles entendessem e despertassem o interesse [pelo audiovisual], como aconteceu. Por isso, foi criado o Coletivo de Cinema Kuikuro. Ent\u00e3o, a Casa de Cinema traz estabilidade, traz a materializa\u00e7\u00e3o de tudo isso, porque assim maiores benef\u00edcios s\u00e3o trazidos para a aldeia, estimulando as produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, tanto por poder assistir a algum filme, se reunir na casa, como tamb\u00e9m para outros debates, conversas e aprendizados&#8221;<\/em>, comentou Caliane Oliveira, produtora da A Terrestre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O FeCCl tamb\u00e9m \u00e9 realizado com recursos do Fundo de Apoio \u00e0 Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da Secretaria de Estado de Cultura e Economia do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste fim de semana, nos dias 17 e 18 de setembro, deu-se o primeiro passo da grandiosa jornada que \u00e9 0 1\u00ba Festival de Cinema e Cultura Ind\u00edgena (FeCCl 2022)! 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